| Atualmente, no Brasil, existe
uma onda de testes de paternidade DNA (nos laboratórios públicos
e em clínicas particulares) que levanta reflexões
interessantes quanto à interseção das esferas
médica e jurídica e sua influência sobre as
relações de gênero e de parentesco na sociedade
contemporânea. Para analisar esse fenômeno, acompanhamos
nas diferentes instâncias jurídicas em Porto Alegre
(na Defensoria da República, nas Audiências de Conciliação,
na Vara de Família e no Serviço Médico do Tribunal)
pessoas envolvidas em disputas jurídicas em torno da identidade
paterna. Investigamos também como recentes mudanças
nas leis de reconhecimento paterno são acionadas pelas diferentes
personagens do cenário. A partir desses dados, levantamos
a hipótese de que, longe de inspirar maior tranqüilidade,
a simples existência do teste atiça as dúvidas.
Tendo repercussões profundas sobre a nossa maneira de ‘saber’
quem é pai, a situação descrita nesse paper
traz novos desafios para uma antropologia do conhecimento, voltada
para a análise das crenças (inclusive científicas)
ocidentais. |